Chocolate DERRETE.

Chocolate DERRETE.

O dia amanheceu lindo – céu azul claro, límpido e tempo fresco.

Arrumamos nossa tralha de feira (decoração, materiais impressos, forro de mesa e mais um tanto de coisas que são invisíveis a quem visita, mas necessárias pra quem expõe) e passamos na fábrica para pegar os chocolates para vender.

Tudo muito bem organizado, tempo bom, vento fresco e gente bacana visitando a barraquinha.

tralha de feira

ATÉ QUE.

O vento parou.

O sol, percebendo essa deixa, começou a mostrar toda sua majestade mandando seus raios UV com força: ‘bora fritar essa galera!

A barraca começa a virar uma estufa, e o sol vai mudando de posição, mirando bem no balcão onde os pobres chocolates estão expostos.

Escolados que estamos, temos todo um esquema tático para a briga. O tempo vai mudando, nossa barraca também! Quem compra, recebe seu chocolate geladinho e fresquinho e pleno, e vai embora feliz!

Esse relato pode parecer óbvio e até engraçado, mas quem não lida com o chocolate no dia a dia, pode deixar esse detalhe passar.

Tanto é que, quando presenteamos as pessoas com chocolate, elas comem tudo de uma vez guardam no bolso da calça ou da camisa para comer depois.

Chocolate derrete!

Chocolate derrete – justamente por isso é tão irresistível!

Este é o primeiro ensinamento que passamos para novos membros da nossa equipe: chocolate derrete!

Ele vai derreter se o segurar na mão por muito tempo, ficar exposto ao sol, se for deixado ao lado da cafeteira, se for esquecido dentro do carro ou na mochila que carregamos o dia colada nas costas.

MAS NÃO precisamos deixar consumir nosso chocolatinho de todo dia por causa disso!

Afinal, chocolate e café são itens essenciais na rotina e não deixamos de consumir porque está quente ou porque está frio! =D

A responsável por isso é a manteiga de cacau: ela começa a derreter a 28 graus, e estará completamente líquida a partir de 36 graus – temperatura próxima do nosso corpo. Por isso, quando colocamos um chocolate puro na boca, ele derrete e espalha o sabor e aquela cremosidade deliciosa que os chocolates com gordura vegetal hidrogenada, fracionada ou equivalente não tem.

Mas se a manteiga libera toda a deliciosidade em sua boca, fora dela também. No Brasil,  é fácil alcançar 36 graus nas situações listadas acima, né?

Não criemos pânico

O tempo de exposição à temperatura, a fórmula do chocolate e a idade do produto também influenciam no derretimento.

Para derreter completamente, ele precisa ficar exposto ao calor por um determinado tempo. Demora até quando queremos derreter chocolate de propósito.

Esquentou, derreteu? Não é bem assim.

Chocolates com maior teor de manteiga de cacau, chocolates brancos, chocolates ao leite e os produtos recheados também são mais sensíveis.

Chocolates mais maduros (com data de fabricação mais antiga) também são mais estáveis que os “frescos”.

Chocolates branco, ao leite e recheados são mais sensíveis ao calor.

Portanto, as dicas são:

  • não deixe seu chocolate no bolso, perto ao corpo. Somos seres de sangue quente!
  • Em casa, guarde-o sempre em um cômodo fresco, protegido do sol. Um armário, uma gaveta de um móvel que não receba sol diretamente já atende.
  • Se for guardar na geladeira, coloque dentro de um recipiente bem fechado e quando for tirar da geladeira, deixe o pote parar de suar antes de abrí-lo e pegar seu chocolate. Isso evita que o chocolate fique esbranquiçado e até mofado.
  • Se você tiver uma adega de vinhos, esse é o melhor lugar para guardar chocolates!
credo, que delícia.

Derreteu, estragou? 🤔

De jeito nenhum!

O chocolate derretido vai voltar a “endurecer” assim que estiver em um local fresco novamente.

Porém ele poderá ter perdido seu formato e cor característicos (como nas fotos que ilustram este post), mas ainda está apto para consumo. Se quiser que ele volte a ficar bonito e brilhante, basta derretê-lo e temperar novamente! Tem um manual aqui.

Chocolate mofado?

O chocolate quando passa pelo processo de derretimento e cristaliza (endurece) novamente de maneira desordenada (sem temperagem), fica com aspecto esbranquiçado, que muita gente associa com mofo.

Chocolate pode mofar SIM, mas na maioria das vezes, ele apenas sofreu o chamado fatbloom. Isso significa que a manteiga de cacau migrou para a superfície do chocolate.

Dê um google em “chocolate mofado” e repare a diferença entre mofo e fatbloom: o mofo tem aspecto aveludado (tipo pelinhos).

O mofo pode se desenvolver em chocolates que tiveram contato com umidade. Se o fabricante segue os controles de segurança do alimento e vigilância sanitária, dificilmente seu produto terá esse problema.

Essa é a segunda lição que passamos à equipe!

Em casa, também é importante deixar seu chocolate longe da umidade. Quando você guarda na geladeira de qualquer jeito, tira – deixa suar – guarda de novo – tira – deixa suar (repetidas vezes) você está criando um ambiente propício para desenvolvimento do mofo.

Não tenho imagens de chocolate mofado, mas coloquei abaixo fotos reais de produtos que foram armazenados em local inapropriado e sofreram com oscilações de temperatura por dias.

Chocolate perfeitamente cristalizado x chocolate que derreteu e endureceu novamente. Note que conseguimos até ver a marca da embalagem.
Ambos são produtos de 80 gramas. À esquerda, os chocolates derreteram enquanto estavam em pé, acumulando no fundo da caixinha. Ao endurecer novamente, pareciam que estavam faltando um pedaço. Compare o tamanho com os da foto à direita.
Nestes casos, os chocolates derreteram e endureceram tantas vezes, que acabaram perdendo a estrutura, virando um pó.
Bombons que sofreram oscilações bruscas de temperatura, perderam a cremosidade do recheio.

Para finalizar: se você não sabe ou não quer temperar o chocolate, não tem problema. Você pode derretê-lo para usar em mousses, massa de bolo, brigadeiros, ganaches, etc e obter a mesma qualidade que o chocolate perfeitamente temperado.

Todos os produtos acima estão seguros para consumo. A textura e o sabor podem ter sofrido alteração, que será corrigida ao derreter o chocolate.

Temperagem de chocolate nobre – manual para pequenas produções

Temperagem de chocolate nobre – manual para pequenas produções

Parabéns! Você escolheu um chocolate nobre de alta qualidade, puro, saudável e premium. Agora chegou a hora de aprender a temperagem de chocolate nobre e transformá-lo em deliciosas obras de arte! 

O conteúdo deste artigo de temperagem de chocolate nobre está dividido em blocos, para que a informação que você precisa seja facilmente encontrada. Tentei mesclar teoria e prática, e colocar informações técnicas de maneira mais simples possível. Se ainda tiver dúvidas, envie um comentário e ajude a melhorar este post!

Para que serve a temperagem?

 

Chocolate feito apenas com manteiga de cacau, também conhecido como chocolate puro ou chocolate nobre, precisa ser temperado para formar bombons, tabletes e outras formas sólidas.

A temperagem garante que seu produto fique brilhante e firme em temperatura ambiente, e evita que os produtos derretam facilmente nas mãos.

A temperagem também é responsável pela retração do chocolate – se a técnica não for bem feita, você terá dificuldade de soltar seu bombom da forminha.

Quando preciso temperar?

 

A pré-cristalização só é necessária quando se quer formar casquinhas, banhar bombons, pão de mel, alfajor, moldar tabletes ou formas rígidas e ocas, como ovos de páscoa, esculturas e decorações de chocolate. O processo de temperagem de chocolate nobre é necessário para ficar durinho e brilhante em temperatura ambiente.

Casquinha de ovo de páscoa perfeito

Para fazer casquinha de ovo de páscoa a pré-cristalização é extremamente importante.

Quando não preciso temperar?

 

A temperagem de chocolate nobre não precisa ser feita para recheios, brigadeiro, ganache, gotinhas dentro de bolos e biscoitos.

recheio de bolo não precisa de temperagem.

Temperou, resolveu?

 

A temperagem não dura pra sempre.

Depois de pronto, seu chocolate deve ser mantido em ambiente fresco e seco, senão os cristais vão se desfazendo, causando o fatbloom. Veja foto abaixo:

fatbloom = esquerda: chocolate não foi pré-cristalizado corretamente. Direita: chocolate foi armazenado em local inapropriado.

Qual é o seu objetivo?

 

Você quer trabalhar com chocolate ou fazer bombons para a festinha do seu filho?

Seus chocolates serão consumidos em 2, 3 dias ou devem durar meses?

Seu objetivo que vai definir o nível de rigor às práticas a seguir. Este manual foi escrito para quem quer iniciar uma pequena produção de chocolates.

Se você quer fazer bombons para presentear alguém ou para a festinha do seu sobrinho, faça com calma e usando o que você já tem. Com certeza seu esforço valerá a pena e será reconhecido.

Muitas receitas pela internet apenas derretem o chocolate nobre, colocam em forminhas de silicone e levam ao freezer. Não há problema algum se você for consumir no mesmo dia e manter em geladeira.

Porém, se a intenção é trabalhar profissionalmente com receitas de chocolate, é recomendado dominar a técnica de temperagem de chocolate nobre e garantir vida longa, beleza e segurança do seu produto.

O que significa temperagem?

Sempre que ouço o termo temperar, imagino a pessoa colocando sal, vinagre e azeite no chocolate!

A palavra temperagem deriva de têmpera, e não tempero. É um termo conhecido popularmente no Brasil para a técnica de pré-cristalização, assim como o termo choque-térmico.

Quando falamos de temperagem de chocolate nobre ou choque térmico, o que queremos dizer é pré-cristalização.

Na prática, a técnica consiste em resfriar o chocolate nobre durante determinado tempo, fazendo movimentos de cisalhamento, para se obter cristais de manteiga de cacau no formato correto.

A grosso modo, a manteiga de cacau é uma gordura polimorfa, ou seja, cristaliza em formas diferentes. Para um chocolate brilhante, acetinado, com quebra limpa e estável, induzimos a formação do cristal B5.

Quebra limpa, ou snap, é indicativo de qualidade da pré-cristalização. Ao quebrar, o chocolate é duro e forma as ranhuras vistas na foto acima.

Sem a presença desse cristal, o chocolate derrete facilmente, desenvolve manchas marmorizadas, fica acinzentado e fica difícil soltar da forminha, como na foto anterior, à esquerda.

Quem quer saber da prática: calma, é mais difícil ler do que fazer.

Com a prática, você vai saber o grau de temperagem do chocolate só observando seu brilho e sua viscosidade, e o trabalho passará de custoso para prazeroso!

Continue lendo para saber mais sobre temperagem de chocolate nobre!

 

A pré-cristalização dá brilho, estabilidade e facilita a desmoldagem.

4 Maneiras de temperar o chocolate

 

Existem 4 maneiras de temperar o chocolate para pequenas produções:

  • Temperagem direta
  • Semeadura
  • Temperagem na pedra de mármore
  • Banho Maria Invertido

Você vai precisar de:

  • Paciência
  • Vasilha para derreter o chocolate
  • Espátula de silicone, tipo pão duro
  • Duas espátulas duras
  • Termômetro – pode ser infravermelho ou de espeto, mais simples (recomendado)
  • Paciência
  • Resiliência se tudo der errado
  • Disposição para começar de novo.
utensílios para começar.

Chocolate puro é tinhoso, requer prática e paciência e resiliência. Paciência para executar um processo minucioso diversas vezes, e resiliência porque… mesmo com anos de prática, vai ter dia que tudo vai dar errado. O bom é que quando dá errado, conseguimos derreter e começar tudo de novo!

Fatores que influenciam a qualidade da temperagem

 

Antes de começar, se você quer fazer um produto que dure mais e se mantenha estável por mais tempo, deve se atentar aos detalhes abaixo:

Temperatura do ambiente

Chocolate exige temperaturas e umidade relativa do ar baixas, algo em torno de 21 graus e 60% UR. O ideal é trabalhar com ar condicionado ligado.

Quem vive no Brasil e quer trabalhar com chocolate profissionalmente, precisa ter ar condicionado, não tem jeito.

Se você não tiver, procure trabalhar com o chocolate nos períodos mais frescos do dia, como de manhã bem cedo ou a noite. Isso vai aumentar sua chance de acerto.

Venda sua produção, junte um dinheirinho e invista no ar condicionado. Vai por mim.

Eu comecei temperando chocolate de madrugada. Depois, comprei um ar condicionado para o quarto e montei uma mesinha para fazer o processo lá. Aprendi muito com os erros desta época.

Umidade do ambiente

Novamente, o ar condicionado ajuda muito a controlar a umidade do ambiente. Umidade relativa do ar elevada deixará o chocolate muito viscoso, difícil de trabalhar e pode causar um problema muito sério quando tiramos os moldes da refrigeração.

É que a umidade do ar poderá condensar na superfície do seu produto (sabe quando tiramos alguma coisa da geladeira e ela começa a suar?), causando defeitos como sugarbloom e até permitindo a proliferação de fungos na superfície do chocolate.

O sugarbloom é um defeito irreversível no chocolate, e fungos podem causar doenças e intoxicação alimentar, portanto, cuide da umidade do seu local de trabalho.

Umidade das coisas

Muito cuidado também com a umidade dos utensílios. Qualquer gota de água presente na dobrinha da vasilha ou na espátula, pode atrapalhar todo seu processo.

Lembre-se: água e chocolate não combinam.

 

Temperatura dos utensílios

Utensílios muito quentes farão seu chocolate perder a pré-cristalização.

Utensílios muito frios, farão que o chocolate cristalize de maneira errada e no lugar errado. Você vai ter chocolate endurecendo na espátula, no fundo da vasilha por exemplo, o que atrapalha muito o trabalho.

 

Temperatura do chocolate

A temperatura de derretimento, temperagem e trabalho são importantes para o resultado final. Essas informações são fornecidas pelo fabricante, e estão relacionadas a formulação do chocolate.

Se aquecer demais o chocolate nobre ao derreter, pode queimar.

Se esquentar de menos, não destruirá os cristais indesejados, e causará defeito no produto final.

tabletes com defeito voltando para a etapa de derretimento.

Abaixo, a tabela de temperaturas genéricas recomendadas para os chocolates Java. Cada produto tem uma etiqueta indicando as temperaturas recomendadas.

 DerretimentoTemperagemTrabalho
Chocolate Branco vegano   402829
Chocolate ao leite de coco vegano   
Chocolate amargo4029 / 3032

 

Como derreter o chocolate

 
Nunca derreta o chocolate diretamente na panela. A chance de queimar é ENORME.
 
Banho Maria: pegue uma panela cuja boca você consiga encaixar a vasilha sem deixar sobrar espaço nas laterais. Coloque água na panela e encaixe a vasilha, de forma que a água e o vapor não saiam pelas laterais.
Lembre-se: água e chocolate não combinam.
Leve a panela ao fogo, coloque o chocolate na vasilha e aguarde o chocolate começar a derreter. Vá mexendo até o chocolate ficar totalmente líquido. 
Demora mesmo – tenha paciência.  
Meça a temperatura: ele deve estar entre 40 e 45 graus (sempre consulte as temperaturas recomendadas pelo fabricante)
Por muito tempo, usei esta derretedeira elétrica para manter a temperatura de trabalho do chocolate enquanto moldava. Vale a pena o investimento.
Microondas: apesar de muita gente ter medo do microondas, eu acho que é o método mais seguro, limpo e prático para se derreter o chocolate.
Coloque o chocolate em uma vasilha adequada para levar ao microondas e vá aquecendo de 30 em 30 segundos. A cada 30 segundos, tire a vasilha do microondas e mexa. Repita o processo até ficar totalmente líquido.
Demora mesmo – tenha paciência.
Meça a temperatura: ele deve estar entre 40 e 45 graus (sempre consulte as temperaturas recomendadas pelo fabricante)

 

Vamos começar?

 

 

TEMPERAGEM DIRETA

Embora pareça uma técnica simples, a temperagem direta requer prática, observação e depende muito da qualidade da temperagem original do chocolate que você compra. 

Ela consiste apenas em derreter lentamente o chocolate até chegar no máximo até 34 graus, mexendo sempre para derreter os pedacinhos de chocolate sólidos até homogeneizar.

Como fazer temperagem direta:

Para esta técnica, o chocolate usado deve estar com brilho uniforme e acetinado (indicativo de alto grau de cristais B5 ainda presentes). Veja uma foto de um chocolate perfeitamente cristalizado logo abaixo.

  1. Pique o chocolate em pedaços pequenos e derreta em banho maria ou microondas, mexendo sempre. 
  2. Controle a temperatura: não deixe ultrapassar os 34 graus
  3. Conforme for aquecendo e os pedaços sólidos de chocolate forem desaparecendo, tire a vasilha do banho Maria para não perder o controle da temperatura.
  4. Quando o chocolate estiver totalmente líquido, faça o teste de temperagem mergulhando um pedaço de papel manteiga ou a ponta de uma faca e deixe cristalizar (pode colocar na geladeira, por alguns segundos). Observe se o chocolate endureceu e observe o brilho do chocolate. Toque a ponta do dedo e veja se está resistente ao calor. Se o teste foi feito no papel manteiga, ele irá descolar do papel e você conseguirá quebrar a plaquinha que se formou com o teste. Ela deve oferecer resistência à quebra.

Com a prática, você conseguirá identificar o grau da temperagem apenas observando seu brilho e viscosidade. 

Se você testou e não deu certo, derreta todo o chocolate até a temperatura indicada na embalagem e tente com outra técnicas a seguir.

SEMEADURA

Também conhecida como adição ou seeding, é a técnica mais simples de todas, mas depende muito da qualidade da temperagem original do chocolate que você compra.

Da mesma forma que na técnica de temperagem de chocolate nobre direta, quando comprar o chocolate para derreter, observe se ele está brilhante e com aspecto acetinado. Isso significa que os cristais que queremos semear estão presentes em grande quantidade nessa barra, e há grandes chances de ter um resultado satisfatório.

Se o chocolate já estiver começando a esbranquiçar, não dá pra usar nesta técnica, pois os cristais que precisamos semear já eram.

Exemplo de chocolate com cristalização perfeita para uso na técnica de semeadura.
Temperagem com o MYCRYO: O Mycryo, vendido pela Barry Callebaut, é uma manteiga de cacau consistentemente cristalizada na forma B5. Quando usamos Mycryo, estamos usando a técnica de semeadura. 
Você pode usar o mycryo ou raspas de um chocolate bem cristalizado, como vou ensinar abaixo. 
Muitas pessoas me perguntam se pode usar o mycryo para temperar nossos chocolates. SIM, você pode usar o Mycryo para temperagem de chocolate nobre Java, seguindo as temperaturas recomendadas pela Barry Callebaut.

Como fazer semeadura:

  • Divida seu chocolate nobre em 3 partes iguais. Você pode fazer isso usando uma balança, ou, se não tiver, guiando-se pelos quadradinhos da barra.
  • Pique ou rale o chocolate. O importante aqui é ter pedaços pequenos.
  • Derreta DUAS das TRÊS partes que você separou, ou seja, 2/3 do total. (veja instruções na seção Derretendo o chocolate)

Semeando os cristais

  • Quando seu chocolate estiver totalmente líquido, com temperatura entre 40 e 45 graus, coloque o 1/3 restante de chocolate picado e mexa até dissolver tudo.
  • Demora mesmo – tenha paciência.
  • Meça a temperatura: se estiver acima da temperatura de temperagem recomendada pelo fabricante (em média, 29 graus) coloque a vasilha sobre uma vasilha de água fresca, e continue mexendo até atingir os 29 graus.
  • Depois, aqueça novamente o chocolate até atingir a temperatura de trabalho. Você pode fazer isso usando a pistola de ar quente ou colocando por alguns segundos no microondas.
  • Pronto, seu chocolate está pronto para ser usado para moldar bombons, tabletes ou fazer casquinhas.

Você vai notar que o chocolate ficou um pouco mais viscoso. Para testar a temperagem, mergulhe a pontinha de uma faca ou colher no chocolate e deixe alguns minutos em 20 graus (lembra do ar condicionado?) ou leve à geladeira.

Ele deve firmar, ficar com aspecto acetinado e cor uniforme. Ao encostar o dedo, não deve derreter facilmente.

Teste da temperagem. Imagem: Harald.

Agora, corra: molde seus produtos antes que ele cristalize na vasilha. Se isso acontecer, vá aquecendo por poucos segundos no microondas, mantendo assim a temperatura de trabalho.

Temperagem no mármore

 

Conhecido como tablagem ou tablage, esse é o método mais rápido e eficaz para uma produção pequena de chocolates, pois permite temperar quantidades maiores de uma vez. É apavorante, sujo e bagunçado nas primeiras cem vezes, mas com a prática, tudo melhora.

Para temperagem de chocolate nobre no mármore, você precisa ter uma mesa ou prancha de mármore ou granito, com espaço suficiente para despejar e movimentar seu chocolate.

A pedra tem que estar bem seca, lisa e limpa. Não caia na tentação de fazer na pia!

Comece organizando seu espaço e seus utensílios.

Meça a temperatura da pedra. Se ela estiver muito quente, você não vai conseguir atingir a temperatura desejada, e não vai conseguir formar cristais.

  • Derreta o chocolate – (veja instruções na seção Derretendo o chocolate)
  • Despeje 80% do chocolate derretido na pedra
  • Com a espátula, faça movimentos de espalhar e reagrupar o chocolate, a partir da borda para o centro.
    • Faça com calma, sem desespero, não se deixe impressionar pelos vídeos do youtube. O importante é a ação de cisalhamento e a perda gradual de calor. Use duas espátulas, para limpar uma na outra.
  • Repita o processo de espalhar e recolher o chocolate até atingir a temperatura de temperagem indicada pelo fabricante.
  • Recolha o chocolate, devolvendo-o para a vasilha com os 20% do chocolate “quente”.
  • Ao misturar o chocolate temperado com chocolate quente que estava na vasilha, atinge-se a temperatura de trabalho.

Você vai notar que o chocolate ficou um pouco mais viscoso. Para testar a temperagem, mergulhe uma pontinha de faca e deixe alguns minutos em 20 graus (lembra do ar condicionado?) ou leve à geladeira.

Ele deve firmar, ficar com aspecto acetinado e cor uniforme. Veja a foto do teste de temperagem acima.

Agora, corra: molde seus produtos antes que ele cristalize na vasilha. Se isso acontecer, vá aquecendo por poucos segundos no microondas, mantendo assim a temperatura de trabalho.

despejar 80% do chocolate derretido na pedra
espalhar com a espátula
recolher ao centro, e medir temperatura. Repetir até atingir a temperatura de temperagem.

BANHO MARIA AO CONTRÁRIO

Este método é indicado para quem não tem espaço, pedra de mármore e comprou um chocolate que não está perfeitamente liso, brilhante ou acetinado.

Sempre que usar técnicas de banho maria, tome muito cuidado com a água.

Lembre-se: água e chocolate não combinam.

Separe duas vasilhas, de forma que uma encaixe na outra sem deixar espaços nas laterais.

Panela para banho maria da Caparroz. Serve tanto para quente (derretimento) quando frio (banho maria ao contrário).
  • Derreta o chocolate (veja seção derretendo o chocolate)
  • Coloque água fresca na vasilha maior
    • não use água gelada. Usar água gelada fará a temperatura do seu chocolate cair muito rápido, e cristalizar na foram errada.
  • Vá mexendo continuamente o chocolate até atingir a temperatura de temperagem indicada pelo fabricante, ou use a tabelinha de referência.
  • Demora mesmo, tenha paciência.
  • Depois, aqueça o chocolate com a pistola de ar quente ou coloque por alguns segundos no microondas para atingir a temperatura de trabalho.

Você vai notar que o chocolate ficou um pouco mais viscoso. Para testar a temperagem, mergulhe uma pontinha de faca e deixe alguns minutos em 20 graus (lembra do ar condicionado?) ou leve à geladeira.

Ele deve firmar, ficar com aspecto acetinado e cor uniforme. Veja a foto do teste de temperagem acima.

Agora, corra: molde seus produtos antes que ele cristalize na vasilha. Se isso acontecer, vá aquecendo por poucos segundos no microondas, mantendo assim a temperatura de trabalho.

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Tentei resumir de maneira simplificada a ciência da pré-cristalização do chocolate, espero que tenha ajudado. Se você tiver alguma dúvida, coloque nos comentários e nos ajude a melhorar este post!

O cacau de origem e seu significado

O cacau de origem e seu significado

O termo origem é amplo, muitas vezes usado como marketing de forma simplista diante de todos os significados que tem no  chocolate do grão à barra, ou bean to bar.

A origem indica a localização geográfica do cacau utilizado – qual estado, qual região ou qual fazenda.

Estas informações podem indicar algumas características sensoriais esperadas do chocolate, dependendo da qualidade do manejo da fazenda até a fabricação da barra. Será que o terroir chegou até a barra final?

A origem não garante qualidade, mas gera expectativa disso.

Na Java Chocolates, temos cacau de duas origens de cacau:

    • Amazônia: mais especificamente do estado do Pará, que entrega uma suavidade e equilíbrio que comparamos a de vinhos de guarda. Um equilíbrio fantástico, que só podia ser da região que originou o cacau no mundo.
    • Minas Gerais: Agora temos também nosso xodó, o cacau mineiro, que nos lembra um vinho jovem – potente, com uma explosão de quem veio com tudo para o mundo do chocolate.

Relacionamento com o produtor, troca de conhecimento e experiências.

 A origem indica também procedência e rastreabilidade.

O fabricante de seu chocolate preferido só faz o pagamento e recebe o cacau em casa, limpinho e embaladinho?

Ou visita, ajuda a viabilizar frete e a entrega? Sabe indicar melhorias para o cacau? Sabe se a fazenda tem burro de carga, trator ou caminhão para transporte?

A origem indica quem faz.

O produtor é fazendeiro de terceira geração, exporta e já tem conhecimento há anos? Ou é gente nova nesse segmento, estuda e trabalha pesado para que o cacau fino seja o meio para melhorar a qualidade de vida?

Seu fabricante de chocolate valoriza esse esforço?

A Java Chocolates  valoriza. Gostamos de visitar as fazendas, ir a feiras e conversar com quem produz.

Neste ano, tivemos duas grandes surpresas:

Há três anos, conversamos com um produtor do Pará – família Brogni, Sítio Ascurra-  que estava começando a trabalhar com cacau fino. Voltamos a conversar no ano passado, e quando decidimos comprar, tivemos uma tristeza enorme : o cacau que tinham em estoque já tinha sido vendido no mercado de bolsa, a preço baixíssimo, pois não tinham comprador para cacau fino.

Tivemos que esperar a nova safra, que não decepcionou : no processo de conchagem, a fábrica foi invadida por um incrível aroma de brigadeiro, até a vizinhança ficou com vontade. Com o produto pronto, foram só elogios a esse produtor que nunca tinha conseguido vender o cacau como produto fino, mesmo tendo indicadores e laudos.

Depois de meses, ganharam o prêmio de melhor amêndoa de cacau no Festival Internacional do Chocolate em Belém. Vão para  Paris representar o Brasil! E pasmem, só nós comprávamos cacau fino deles.

Outra grande surpresa foi a descoberta do cacau mineirinho.

Depois de muito pesquisar e procurar, encontramos mineirinho fazendo cacau de qualidade!

Novamente, estavam fazendo há anos o processo de cacau fino sem  conseguir comprador que os remunerasse pela qualidade. Infelizmente, o fazendeiro que iniciou o processo de plantio e manejo do cacau fino faleceu dias antes de iniciarmos contato comercial.

Foi chamado de louco por plantar cacau nessa terra.

Não o conhecemos, mas não tem como não agradecer diariamente a ele pelo que fez. Só os filhos e netos conseguiram provar o chocolate feito com cacau só da fazenda mineira, uma materialização de um sonho de produção de cacau fino.

A Java Chocolates valoriza e ajuda o pequeno produtor que está estudando e se esforçando para produzir cacau fino e melhorar a vida no campo, ao invés de comprar só dos que já tem expertise e domínio de mercado.

A origem indica também a relação da fábrica de chocolate com a fazenda:

    • Há o tree to bar, em que o produtor do cacau também fabrica o chocolate (mesmo que com fábrica em cidade diferente da plantação).
    • Há o bean to bar, em que o produtor de chocolate faz o processamento do cacau até a barra.
    • Alguns usam um termo “farm to bar”, indicando que o controle é feito na fazenda pelo produtor e acompanhado pelo fabricante de chocolate. Entretanto, pressupõe-se que o bean to bar já faça isso, desta forma, pode ser mais uma gourmetização.

 

Até agora, falamos da origem do cacau, podemos então fechar com a origem do chocolate.

Ai juntamos tudo que falamos antes, colocamos na panela com o conhecimento em produzir e transformar a matéria prima no alimento sagrado que é o chocolate.

Nesta panela, entra também a questão de equipamentos. Aqui somos artesanais até em maquinários: fabricamos grande parte do equipamento que usamos.

Entra segurança e responsabilidade: temos rígido controle de alergênicos e seguimos à risca os manuais de boas práticas de fabricação.  Embalamos de forma hermética para entregar com a melhor qualidade.

Aqui, nossa origem de chocolate é baseada em cuidado, carinho, respeito e muita responsabilidade.

Comprovadamente sem glúten!

Comprovadamente sem glúten!

Preocupados com a segurança de nossos produtos, buscamos apoio junto ao Senai – MG e enviamos amostras de cada chocolate para análise de presença de glúten em laboratório especializado.

Os resultados demonstraram que, de fato, nenhum produto de nossa linha contém glúten.

Ficamos muito felizes ao ver que todos nossos esforços na triagem dos fornecedores e nos cuidados para evitar a contaminação cruzada estão sendo efetivos.

Alergia e intolerância alimentar é coisa séria, e aqui, são tratadas com o rigor que merecem. 

Nosso próximo passo é obter o laudo de análise de ausência de leite! 🙂

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Produção 100% proprietária!

Produção 100% proprietária!

Gostaríamos de anunciar que, desde outubro de 2015, nossa produção é 100% proprietária!

Com isso, controlamos todas as etapas do processo da fabricação de nossos produtos- desde a seleção do cacau, a fabricação do chocolate, passando pela transformação em tabletes e e finalizando na embalagem!

Abrir mão de terceirização de serviços pode ser oneroso financeiramente, afinal, o investimento em máquinas é alto. Porém, conseguimos atingir qualidade e sabor que sempre buscamos, além de assegurar que nenhuma contaminação acontecerá.

Fabricar o chocolate permite, além de selecionar um cacau que foi plantado, colhido e comercializado de forma justa, desenvolver sabores inesperados e muito peculiares daquele fruto.

Combinar estes sabores com frutas, oleaginosas e especiarias, permite criar outras novas experiências e imprimir uma identidade única no produto!

É alquimia pura!

Para fazer chegar toda essa mágica até você, investimos em um sistema de embalagem primária seguro, hermético, que impede a degradação do aroma e sabor através da luz e ar, além de evitar contaminação do produto no ponto de venda.

Também revisamos as caixinhas:  atualizamos os ingredientes e as informações nutricionais, adequamos a nova lei dos alergênicos e aumentamos um pouquinho para que o novo saquinho que envolve o chocolate caiba confortavelmente.

Lançamos esta nova embalagem em Janeiro de 2016, e estamos muito satisfeitos podendo oferecer um produto cada vez melhor a vocês!!!