Chocolate artesanal – ou chocolate industrial derretido?

Chocolate artesanal – ou chocolate industrial derretido?

Chocolate artesanal muitas vezes é ligado à doceira ou à lojinha que fazem bombons sob encomenda. Mas você sabia que nesses casos, o chocolate utilizado quase sempre é industrial?  Então como podemos descobrir?

A confusão acontece por causa do nome dos produtos. No Brasil, chamamos de “chocolate” desde o chocolate em si (feito do cacau, vendido em barras e gotas para transformação) como os produtos feitos a partir do chocolate, como tabletes, barrinhas e bombons – e até brigadeiros.  Continue conosco e aprenda como diferenciar um chocolate artesanal do chocolate industrial.

(mais…)

Fábrica de chocolate Mineira

Fábrica de chocolate Mineira

A Java Chocolates se orgulha de ser a primeira fábrica de chocolate bean to bar de Minas Gerais.

Em 2014, iniciamos nossas pesquisas sobre chocolates saudáveis e estudamos muito sobre cacau e as origens. Optamos por trabalhar com o cacau do Pará, que é desconhecido por grande parte da população, mesmo sendo a região em que o cacau se originou. Em 2015, lançamos os primeiros produtos da Java Chocolates e desde então, estamos sempre buscando melhorias, mas mantendo nossos pilares.

(mais…)

Chocolate amargo tem baunilha?

Chocolate amargo tem baunilha?

Chocolate amargo quase sempre tem baunilha. Tente se lembrar do chocolate de infância, do aroma deste chocolate. Pode ter certeza que você se associou o cheiro de chocolate com baunilha. Mas chocolate amargo precisa ter baunilha?

Por que se usa baunilha no chocolate?

O aroma de baunilha é amplamente utilizado como truques ou forma de camuflar o sabor de um cacau de qualidade baixa. Nesse caso, significa não ter tido um manejo ou cuidado adequado. Por isso, nada mais lógico para grandes indústrias do que camuflar o aroma e sabor com o imbatível aroma da baunilha.

Esta prática é tão antiga que todos nós naturalmente associamos o cheiro de chocolate ao cheiro de baunilha – até mesmo os kits de treinamento olfativo de vinhos cometem esse engano.

Veja bem: a baunilha em si não é um problema. Esta especiaria é muito apreciada na confeitaria em geral e pode chegar a valores altíssimos. A questão é quando ela é usada para mascarar defeitos.

Veja esta Foto de cacau em porto de Amsterdam (créditos: Chocolate Journalist) . Cacau sujo, mofado, velho, com umidade. É esse tipo de cacau que vira chocolate amargo em muitas fábricas grandes, e a baunilha faz “o papel” de nivelar sabor.

Funciona assim: esse cacau chega à indústria, onde sofre uma sobretorra para eliminar microorganismos que podem nos causar doenças. Essa torra é feita em altas temperaturas, para garantir a esterilização deste cacau doente, que fica com gosto de queimado. Para amenizar o gosto de queimado, taca açúcar, leite e baunilha!

Você já sentiu dificuldade em comer um chocolate amargo? Sentiu ele realmente amargando a boca? Com certeza seu paladar captou o gosto de queimado!

Existe chocolate amargo sem baunilha?

Sim, porém, é uma pequena parte. Por que? Simples, cacau com boa qualidade e sabor de verdade é caro, por isso, menos do que 5% da produção mundial é de cacau fino. O restante, cacau bulk, o feioso aí da foto, jamais poderia ser usado para fabricar um chocolate sem baunilha. É um cacau que não tem um mínimo tratamento, cuidado ou zelo.

É o cacau que faz aquele chocolate amargo difícil de engolir (mesmo estando embalado em uma caixa maravilhosa e importada).

Por que preferir chocolate sem baunilha?

Vamos fazer um paralelo com o café: é possível tomar uma xícara sem açúcar se o café for de baixa qualidade? Não. Por isso, um café sem açúcar precisa ser de alta qualidade.

Para o chocolate, é muito similar. O bom chocolate não precisa ter e em geral não tem baunilha. Quando tem, é porque fará diferença no sabor. Já o chocolate que usa um cacau ruim, obrigatoriamente, usará um aromatizante como camuflagem da baunilha para se tornar palatável. E não importa se for natural ou artificial, a função dela ali é clara: corrigir defeito.

Não há processo que corrija um cacau ruim.

Para nós, chocolate não é doce, é alimento – sem baunilha.

Chocolate amargo ou chocolate intenso?

Chocolate com mais cacau começou a ser chamado de chocolate amargo, mas sabia que não é a melhor definição? Outras definições são chocolate dark, devido à cor mais escura por ter mais cacau, e a que preferimos: chocolate intenso.

Amargo é uma palavra que denota um defeito do chocolate. Amargor é ruim, causado pela sobre torra de cacau que não teve um processo para desenvolver os melhores sabores, ou por processo falho da fábrica.

Nossa cultura é de muito açúcar e muito leite, portanto, num primeiro momento, pode parecer impactante consumir um chocolate amargo, com 70% de cacau, mesmo sabendo que é mais saudável. A boa notícia é que nosso paladar é totalmente adaptável. Comece aumentando a qualidade e o teor de cacau do seu chocolate diário e verá que com o passar do tempo, ficará muito mais gostoso apreciar o sabor do cacau, sem precisar de baunilha.

Saiba mais sobre chocolate de origem, sobre o processo e o desenvolvimento de sabor de cacau especial.

O que significa o termo bean to bar?

O que significa o termo bean to bar?

Já ouviu falar nos chocolates bean to bar? Sabe o que significa? É disso que vamos falar por aqui hoje.

Quando abrimos a embalagem de uma barrinha de chocolate, dificilmente paramos para pensar em tudo o que existe por trás dela. Da onde vem essa delícia? Do que ela é feita? Como funciona a sua cadeia de produção? 

“Poxa, eu só queria comer um chocolatinho…” — sim, nós sabemos. Mas, imagina que legal apreciar seu docinho sabendo que:

  1. Ele é produzido de maneira artesanal;
  2. Utiliza poucos ingredientes e esses, além de serem naturais, são bem selecionados;
  3. O chocolate maker acompanha todo o seu processo de produção, desde o contato com o agricultor, que planta o cacau, até o chocolate estar prontinho para ser consumido.

“Ok”— você pode pensar — “parece incrível. Mas sendo práticos, como eu vou saber tudo isso quando estiver escolhendo o meu chocolate, de forma rápida?

Isso é muito simples! É só procurar os chocolates bean to bar. Aqui neste artigo, vamos te explicar tudo sobre essa forma de produzir e consumir chocolates. Continue lendo!

O que é bean to bar?

Traduzindo de forma literal, bean to bar significa “do grão à barra”. Ou seja, que esses chocolates são feitos desde o grão de cacau até a barra. 

É provável que essa explicação desperte dúvidas como: “mas não é assim que todos os chocolates são produzidos?” — e a resposta é, não.

A maior parte dos chocolates são produzidos a partir de uma massa de cacau (os grãos já vem moídos e torrados) ou a partir de outro chocolate já pronto, que é derretido e transformado em um novo produto.

Por que essa é a forma de produção mais comum? Por se mais fácil e barata. Como os produtores recebem a massa de cacau ou o chocolate, não há seleção de grãos, nem uma grande preocupação com suas particularidades, como a safra, por exemplo.

Portanto, o valor da saca do cacau é menor, o que diminui o custo total da produção, consequentemente diminuindo o valor final do produto. Ou seja, é um processo de fabricação muito utilizado por empresas que produzem em larga escala.

“Tudo bem. Por que então surgiu essa categoria bean to bar? Se a forma de fabricação tradicional é mais fácil e barata?”

Fique com a gente até o final para descobrir!

Como surgiu?

Respondendo a pergunta feita acima, o nicho bean to bar surgiu por uma necessidade de mercado. 

Já faz algum tempo que o mundo em geral começou a ser mais consciente, em vários aspectos: alimentação, meio-ambiente, desperdício, etc. e esse tipo de preocupação começou a alterar a forma que as pessoas consomem seus produtos

Tendo isso em mente, em 2005, nos Estados Unidos foi iniciada a fabricação e produção de chocolates com poucos e selecionados ingredientes, fatos que os torna mais saudáveis e naturais. 

Além disso, esses produtores começaram a acompanhar todo o processo de fabricação do chocolate, desde a escolha do agricultor e da seleção dos melhores grãos até a modelagem da barra e seu embalagem. 

A partir desse processo, quem consome os bean to bar sabe que, além de estar desfrutando de um produto de qualidade, também está colaborando com uma cadeia de produção consciente, onde os preços pagos aos produtores primários são justos e há menos danos aos meio-ambiente.

Mas eles são gostosos?

Às vezes os produtos naturais sofrem com a estigma de não serem muito saborosos, o que leva algumas pessoas a decidirem por consumir a versão, digamos “menos natural” da mercadoria.

Porém , isso sem dúvida não é a realidade de muitos produtos, inclusive dos chocolates bean to bar. Por exemplo, podemos fazer um  comparativo do café com esse tipo de chocolate:

Assim como acontece com o café, o sabor e o aroma do cacau são influenciados pelo clima da região, as características do solo e a variedade dos grãos..

Aliás, olha que boa ideia: fazer uma degustação de bean to bar!

Como é o processo de fabricação?

Conforme foi supracitado  uma das vantagens — tanto em relação ao sabor quanto em relação ao consumo consciente — desse tipo de doce é o seu processo de fabricação diferenciado. Confira agora como a mágica acontece:

Análise

 É a partir do processo de análise que os chocolate makers irão identificar a qualidade e as especificidades da amêndoa do cacau e assim desenvolver receitas coerentes com essas nuances.

Torra

A torra é um processo muito importante, que vai imprimir ao chocolate bean to bar seu aroma e sabor. As principais variáveis nesta etapa são o tempo e a temperatura em que as amêndoas serão torradas.

E caso sejam cometidos erros, o chocolate fica comprometido, independentemente da qualidade do cacau utilizado.

Separação de cascas

Após saírem da torra, as amêndoas são deixadas para “descansar” em temperatura ambiente, até que esfriem o suficiente para o processo de separação de cascas ser iniciados.

Essa operação é necessário, pois a parte do cacau que é utilizada para a fabricação de chocolates — conhecida como nibs de cacau — é revestida por uma membrana eu sabor amargo, então nesse processo, os nibs são separados e as membranas descartadas.

Refino e conchagem

Agora que temos os nibs de cacau devidamente separados é iniciado o processo de refino dos mesmos.

É aqui no refino que os outros ingredientes da receita serão incluídos. Tudo é milimetricamente controlado para que não haja perda de sabor durante o refinamento.

Na mesma máquina ocorre a conchagem, que é o que garante a suavidade e a maciez do produto final.

Modelagem e resfriamento

É aqui que o chocolate assume a forma na qual vamos encontrá-lo. Após o processo de modelagem, o bean to bar passa pelo resfriamento, que pode ser feito em túneis ou geladeiras

Embalagem

Pode ser feita por meio de máquinas ou a mão, depende da preferência do fabricante.

Seja por conta da pequena quantidade de ingredientes, por reduzir os impactos negativos no meio-ambiente, para afinar seu paladar em relação aos chocolates ou quem sabe, por todos os motivos citados, o bean to bar veio para ficar.

Certamente, se você der uma chance, ele vai conquistar um lugar na sua despensa —  e no seu coração.

Se inscreva em nossa newsletter para acompanhar as novidades do mundo dos chocolates!

Referências:

https://falauniversidades.com.br/bean-to-bar-a-nova-forma-de-fabricar-chocolate/#:~:text=A%20tend%C3%AAncia%20Bean%20to%20Bar,cacau%20at%C3%A9%20o%20produto%20final.

 

Bean to bar - quais chocolates entram nesta categoria?

Tabua de selecao de cacau

Traduzindo de forma literal, bean to bar significa “do grão à barra”. Ou seja, que esses chocolates são feitos desde o grão de cacau até a barra. em 2005, nos Estados Unidos foi iniciada a fabricação e produção de chocolates com poucos e selecionados ingredientes, fatos que os torna mais saudáveis e naturais. Além disso, esses produtores começaram a acompanhar todo o processo de fabricação do chocolate, desde a escolha do agricultor e da seleção dos melhores grãos até a modelagem da barra e sua embalagem. A partir desse processo, quem consome os bean to bar sabe que, além de estar desfrutando de um produto de qualidade, também está colaborando com uma cadeia de produção consciente, onde os preços pagos aos produtores primários são justos e há menos danos aos meio-ambiente.

Como o cacau vira chocolate

Como o cacau vira chocolate

Neste post, iremos explicar como o cacau vira chocolate, começando sobre o processo de produzir nibs de cacau até o chocolate, do grao à barra – bean to bar. Existem algumas variações no processo, mas vamos contar um pouquinho de como fazemos aqui na JAVA.

A colheita.

NA FAZENDA, o fruto é colhido com cuidado, para não machucar a casca e não oxidar a polpa, importante para desenvolver os aromas complexos do cacau.

o cacau e sua polpa.

Fermentação.

Os frutos então são abertos, e as sementes e polpa são fermentadas por alguns dias. Nisso, o embrião das sementes morrem, e  passamos a chamá-las de amêndoa.

 

fermentação de cacau na fazenda.

Secagem.

Elas então seguem para um processo de secagem:

esteira de secagem

Seleção.

Depois de secas, as amêndoas de cacau chegam à nossa fábrica, onde são selecionadas para retirar possíveis impurezas (pedrinhas, galhos, grãos defeituosos)

Amêndoas de cacau durante a seleção.

Torra.

Depois de selecionadas, as amêndoas são torradas a baixa temperatura.

Cada origem de cacau e cada safra tem uma curva de torra diferente, que ajustamos a cada lote recebido, para desenvolver ao máximo o potencial daquela amêndoa. Também há variação na curva de torra dependendo do chocolate que será feito. Nosso chocolate 100% usa um cacau com torra diferente do 63%, por exemplo.

Descasque.

Após a torra, as amêndoas são descascadas, dando origem aos famosos NIBS de cacau.

Moagem, refino e conchagem.

Por fim, os nibs de cacau são moídos em moinho de pedra por cerca de 48 horas (dependendo da fórmula do chocolate, da safra, do clima…) para se transformarem em chocolate de origem.

Nesta etapa, são acrescentados os outros ingredientes, como açúcar e a manteiga de cacau.

moinho de pedra

Transformando em tabletes.

O chocolate pronto então é pré-cristalizado e moldado em tabletes, barras e bombons.

Depois, são embalados hermeticamente e colocados a mão na caixinha.

Todas as etapas destes processos possuem escolhas que interferem no sabor do chocolate que chega até você, e por isso, os chocolates artesanais são tão diferentes entre si. 

Poucas empresas valorizam o cacau de origem e como fazer nibs de cacau e chocolate

Dependendo do foco da empresa, não importa como o cacau é plantado, colhido e processado – utilizam o cacau bulk, que tem status de commodity. 

De forma direta: é o cacau comprado pelo preço mínimo, sem análise de sabor e sem nenhum cuidado pós colheita.

Façamos um paralelo com o mercado de café: tem o café de bolsa, de baixa qualidade e pureza, que é comprado por indústrias que dão aquela sobretorra para disfarçar sabores estranhos e o vendem barato, como “extra-forte”. Com o cacau é a mesma coisa: cacau de diversas origens, baixo nível de pureza, sobretorra e aromatizante de baunilha para disfarçar e padronizar.

Vale a reflexão – como fazer nibs de cacau e chocolate pode fazer diferença?

De onde vem o cacau daquele chocolate barato? Quais as condições de trabalho na lavoura?  Como o cacau vira chocolate de forma ética?

Além do sabor, outros pontos impactam o cacau commodity. Como é um produto sem valor agregado, o agricultor fica a mercê das variações do clima e do mercado de bolsa, muitas vezes vendendo cacau por menos do que foi gasto para produzi-lo. Comprando o cacau fino, ajudamos esses cacauicultores a valorizar o trabalho, sem depender do preço de bolsa e conseguir um preço decente para o árduo trabalho que tiveram.

Criando valor no campo, as famílias podem continuar unidas em suas propriedades, vivendo dignamente, e contribuindo com o meio ambiente. Os filhos que antes saiam para estudar e morar na cidade por falta de alternativas, podem voltar e aplicar a ciência no campo.

Para nós, isso importa. Esse é o futuro que queremos. Vamos fazer juntos?