Chocolate artesanal muitas vezes é ligado à doceira ou à lojinha que fazem bombons sob encomenda. Mas você sabia que nesses casos, o chocolate utilizado quase sempre é industrial?  Então como podemos descobrir?

A confusão acontece por causa do nome dos produtos. No Brasil, chamamos de “chocolate” desde o chocolate em si (feito do cacau, vendido em barras e gotas para transformação) como os produtos feitos a partir do chocolate, como tabletes, barrinhas e bombons – e até brigadeiros.  Continue conosco e aprenda como diferenciar!

Na maioria esmagadora das vezes, a doceria ou confeitaria do seu bairro que faz e vende chocolate artesanal, na verdade compra as barras de chocolate industrial (ou de cobertura de chocolate), derrete e transforma em seus doces.

O processo de transformação do chocolate em doce, bombom ou tablete pode ser artesanal, porém o chocolate em si continua sendo industrial.

Felizmente, esta realidade está mudando. Com a preocupação com a saúde e o meio ambiente em alta, está crescendo o uso de chocolate artesanal na confeitaria.

O chocolate industrial pode ser de alta ou baixa qualidade, sempre é padronizado e, por ser feito em larga escala, usam ingredientes menos selecionados e geralmente gera impacto social e ambiental.

Chocolate artesanal pode ser interpretado como um chocolate que foi feito desde o grão do cacau de forma artesanal. Como?

  • Seleção do fornecedor do cacau, que precisa ser de qualidade e agradar ao chocolateiro.
  • Os grãos de cacau precisam ser selecionados, removendo aqueles com imperfeições naturais ou pragas.
  • Deve ser criada ou ajustada uma torra específica para cada lote de cacau, para cada safra.
  • O cacau torrado e descascado é transformado em chocolate, e em barra, por pessoas.
  • Cada barra de chocolate passa por mãos de muitas pessoas conferindo o processo até chegar ao consumidor.
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Chocolate artesanal do grão à barra

O processo cuidadoso e controlado da produção do chocolate, do grão à barra, é o que faz o chocolate artesanal.

Por ter todo essa interação humana e por não ter adições de aromatizantes, ele tem uma variação grande de sabor: pequenos detalhes no processo manual fazem diferença na barra de chocolate.

Além disso, o cacau tem grande oscilação de sabor, mesmo sendo do mesmo produtor. O cacau é uma fruta, e seu tamanho e gosto são influenciados pelas condições climáticas da safra.

chocolate artesanal ou chocolate industrial derretido? Aprenda a diferença neste artigo.

Processo de fabricação artesanal de chocolate.

 

Dessa forma,  o sabor final é resultado de vários fatores:

  • Escolha do fornecedor do cacau
  • Variações de sabores dos lotes de cacau
  • Variação do processo de fermentação do cacau especial
  • Variações no tratamento do cacau dentro da fábrica durante a produção do chocolate
  • E por fim, a receita escolhida pelo chocolateiro

 

Chocolate artesanal ou chocolate industrial derretido?

Sabendo com mais detalhes sobre como é o processo artesanal de fabricação de chocolate, fica simples entender a pergunta inicial

Na maioria das vezes, o bombom feito em casa, ou em uma lojinha, ou sob encomenda, tem a parte final feita de forma artesanal, usando como base um chocolate industrial.

Chocolatier e chocolateiro

Entrando mais neste tema de profissional do chocolate, temos duas figuras principais:

Chocolateiro

O chocolateiro é o profissional que estuda o cacau e o processa até produzir o chocolate.

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Processo de produção de chocolate artesanal em moinho de pedra.

Chocolatier

Aquele que transforma um chocolate industrial ou chocolate de origem, feito por um chocolateiro, em barrinhas, bombons e doces.

Ambas as profissões são valorosas e cumprem a função de levar alegria para as pessoas!

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About Aline Palmiro

Aline Palmiro é cofundadora da Java Chocolates, fábrica bean to bar de Belo Horizonte criada em 2014 — uma das pioneiras do chocolate de origem em Minas Gerais. A Java nasceu de um problema dela. Diagnosticada com intolerância a lactose e glúten, não encontrava chocolate nacional que fosse bom, acessível e sem esses ingredientes. Em vez de adaptar receita, foi ao Pará desenvolver fornecedores de cacau fino e estudou o caminho do grão à barra em livros técnicos estrangeiros e cursos de produção industrial, numa época em que não existia formação em bean to bar no Brasil. Os primeiros chocolates saíram em 2015. Aqui ela escreve sobre o que acontece dentro da fábrica: como o cacau vira chocolate, o que os rótulos dizem e o que escondem, e por que tanta coisa vendida como saudável não é. A Java produz em linha dedicada, livre de lactose, glúten e soja, com protocolo documentado de controle de alergênicos e rastreabilidade de fornecedores. Metade do cacau que ela usa hoje é mineiro. Já falou sobre cacau e chocolate para O Tempo, Diário do Comércio, Estado de Minas e o Procon Assembleia-MG.

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