2020, ano de reiniciar todos conceitos e rever o modus operandi de praticamente tudo, inclusive da produção de chocolate. Nesse contexto, vimos mais de perto uma realidade: vai faltar cacau.

 

Os agricultores passaram por um período sem precedentes neste ano. Com a safra coincidindo com o auge do desespero da pandemia, muitos agricultores não fizeram o pós colheita adequado para ter cacau de alta qualidade.
Com isso, perderam a oportunidade de vender com prêmio superior a 30% do valor de mercado e precisaram vender tudo a preço de Bolsa.
Para piorar, as moagens de cacau caíram e com isso, o cacau industrial ou commodity também caiu.
A demanda reprimida por cacau surgiu na entressafra, dessa vez com um aumento no preço global do cacau.

Como falta cacau especial?

 

Mesmo sendo mais lucrativo vender o cacau especial, novamente muitos agricultores deixaram de produzir cacau especial para aproveitar a alta momentânea da bolsa.
Por conta do cenário de incertezas, os fabricantes de chocolate fizeram pedidos menor e muito em cima da hora, perto da colheita.
Logo, os pequenos produtores ficaram na dúvida se valia a pena fermentar e os maiores decidiram exportar o cacau especial, aproveitando a alta do dólar.
cacau especial passou a não valer à pena para muitos produtores. Mais demorado, com mais complexidade e o pior : com mais risco de errar e de se perder todo o esforço.
Para pequenos produtores, esse é sempre o maior medo.

Como reverter essa dificuldade?

 

Já antes da pandemia, era comum ter que vender um cacau especial pelo preço de commodity por falta de comprador. Com a economia afetada, a situação ficou pior.

Leia também:  O preço do cacau caiu, mas o chocolate continua caro. Entenda o motivo

 

Somente com a valorização do chocolate de origem e do chocolate artesanal poderemos reverter esse baque visto em 2020.
Como fabricantes, fazemos nossa parte expondo essa dificuldade de nossos parceiros fornecedores e criando conteúdo para disseminar a cultura do chocolate fino.
Nossa luta pela valorização do chocolate como alimento não favorece só a Java e seus consumidores, mas também toda a cadeia produtiva.
Convidamos você a fazer parte dessa cadeia e ajudar a mudar o mundo, um passinho de cada vez.
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About Aline Palmiro

Aline Palmiro é cofundadora da Java Chocolates, fábrica bean to bar de Belo Horizonte criada em 2014 — uma das pioneiras do chocolate de origem em Minas Gerais. A Java nasceu de um problema dela. Diagnosticada com intolerância a lactose e glúten, não encontrava chocolate nacional que fosse bom, acessível e sem esses ingredientes. Em vez de adaptar receita, foi ao Pará desenvolver fornecedores de cacau fino e estudou o caminho do grão à barra em livros técnicos estrangeiros e cursos de produção industrial, numa época em que não existia formação em bean to bar no Brasil. Os primeiros chocolates saíram em 2015. Aqui ela escreve sobre o que acontece dentro da fábrica: como o cacau vira chocolate, o que os rótulos dizem e o que escondem, e por que tanta coisa vendida como saudável não é. A Java produz em linha dedicada, livre de lactose, glúten e soja, com protocolo documentado de controle de alergênicos e rastreabilidade de fornecedores. Metade do cacau que ela usa hoje é mineiro. Já falou sobre cacau e chocolate para O Tempo, Diário do Comércio, Estado de Minas e o Procon Assembleia-MG.

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